Aouila no Teatro
   FUI PRO BLOGGER!

Prezados acompanhantes deste blog!! A partir de 2009, estremos de casa nova. Nosso novo endereço ceará: http://aouilanoteatro.blogspot.com/

Com a mesma ironia de sempre, o mesmo bom humor, a mesma vontade de que o teatro viva pra sempre, a mesma indicação das melhores peças. Nada muda, só a casa. Mas quem não gosta de casa nova em ano novo?

Te vejo lá entao em 2009. Combinado?

Mas se quiser passear por lá, já pode. Tem pequenas coisas escritas e os melhores de 2008.

Feliz ano novo!



Escrito por Marcelo Aouila às 12:01
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   TRAIÇÃO

Não é de hoje que as peças inglesas tem suas montagens muito bem cuidadas nos palcos do Rio. E essa nao é diferente. Uma linda montagem de Harold Pinter, um super-autor que ja ganhou o Prêmio Nobel de Literatura, precisa dizer mais? Sim. Pinter escreve aquilo que a gente vê na rua. Em uma entrevista dele, disse que presenciou uma conversa entre duas mulheres no metrô e... bingo, lá estava um texto de teatro. É assim que a banda toca. Vendo e observando o que a vida nos diz, nos ilustra, e Pinter faz com maestria. Seu texto é leve, rápido, inteligente, crível e instigante. A gente nao para de pensar em "como é que isso vai acabar", e fica imaginando o fim da historia e os rumos que aquelas vidas podem dar. O que eu mais gosto nesse texto é que ele é contado de trás prá frente. Calma, nao estraguei nada. Desde o início a gente sabe. Além de estar no programa, no palco já se vê a passagem de tempo, pra trás. Existem na história várias traições. Cada uma ao seu tempo. A traição do amigo, da esposa, do amante, da amante, do marido, e até mesmo a traição do tempo.

A direção do Ary Coslov é impecável. De uma qualidade, uma elegância, uma calma, uma dedicação que poucas vezes vemos no palco. As cenas montadas estao sempre sendo bem tratadas, as posições dos atores no palco, a entonação de cada frase, o comportamento e as reações de cada personagem sao tratadas de maneira elegante e simples ao mesmo tempo. Sem duvida nenhuma uma direção responsável por toda a elegancia, e a parte técnica excepcionalmente correta de todo o espetáculo. Vai ganhar premio, anota ai.

A cenografia, do Marcos Flaksman é linda. Tudo sai de um super armário ao fundo, onde cada peça, lindamente escolhida, espera o seu momento de entrar em cena. Tudo isso muito bem arrumado, sem pressa, com elegância, por um contra-regra ator, que, ao subir as escadas para mudar o tempo, dá uma pausa de respeito ao proprio tempo e limita passado e presente. Gosto quando o cenário é montado aos olhos do publico. Nós já começamos a perceber que aquela cama é de tal ambiente, o sofá do outro, a mesa daquele. Isso traz a platéia pra dentro do palco. Ficamos íntimos ao espetáculo. Logico que tem dedo do Ary nessa historia. Ponto para os meninos!

O figurino é elegantissimo! Supercorreto quando se trata de verão, inverno, clima ameno, época, qualidade dos materiais escolhidos, leveza e cores. Muito bom gosto. A luz do Aurélio de Simoni, como sempre valoriza os espaços, valoriza o trabalho dos atores, valoriza a direção e valoriza o figurino. Com isso ela, a luz, ao mesmo tempo que valoriza as outras qualidades da peça, se valoriza por estar presente, iluminando sem ofuscar. Linda luz.

Vale destacar também a trilha sonora composta de cançoes dos anos 70, época da peça, pautadas em Erik Clapton e Rolling Stones, mais inglês impossivel.

É na interpretação dos atores que a direção tem a sua maior aliada. Todos, sem excessao, estao muito bem. Em ordem crescente de qualidade, Isabella Parkinson é a que, algumas vezes, se perde um pouco, ou perde um pouco das entonações corretas das frases e palavras, mas sua atuação no todo garante seu talento de boa atriz. Isio Ghelman é a personificação do personagem Jerry. Consegue entrar de tal forma no personagem que a gente nao sabe se ele é Isio ou se Isio é ele. Compreendemos tudo o que ele faz no palco. As suas atitudes estao sempre de acordo com cada cena. Um belo trabalho. Mas é Leonardo Franco quem rouba a cena. É sem duvida nenhuma uma peça divisora de águas na vida deste grande ator. Sempre fui fã do Leonardo, mas agora, depois de tê-lo aplaudido de pé, tenho certeza que seu talento irá ser reconhecido nos 4 cantos deste Brasil varonil. Um trabalho para prêmio. Uma indicação já será um reconhecimento, mas o prêmio é mais que justo. Sua qualidade de interpretação em cena é tão correta, tão elegante, que ficamos sem saber se o diretor teve trabalho para domar Leonardo ou se Leonardo botou o diretor no bolso e toda a peça saiu atrás de seu talento para ser encenada. Parabéns ao elenco.

Um espetáculo elegante, bonito, correto, lindo e que nos faz pensar (afinal a função do teatro é essa...) sobre as traições nossas de cada dia. Imperdível, nota 10.

Até a proxima.

TRAIÇÃO - Solar de Botafogo, de quinta a sábado 21h30 e domingo às 20h30



Escrito por Marcelo Aouila às 11:02
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   INVENTÁRIO

Fui na estreia da peça Inventário, com texto e atuação dos Doutores da Alegria, aqueles "palhaços" que animam a vida das crianças internadas em hospitais. As historias vividas no palco, ou revividas, são situações bem reais pelas quais os atores passaram, e ainda passam, pelos hospitais da vida. A criança que tem medo, o médico que implica com os Doutores, a falta de medicamentos, as gafes, e, claro, as alegrias, que é o que move essa turma a continuar esse excepcional e belissimo trabalho para as crianças dodóis.

O espetáculo é lindo. Os atores, cujos nomes vou ficar devendo, procurem no tijolinho do jornal, estão excelentes. Todos conseguem ter seu momento de gloria, com aplausos em cena aberta e silêncios constrangedores e necessários por parte do publico. A gente ri do inicio ao fim, e se emociona, do inicio ao fim. Todos, sem excessao, sao maravilhosos, com tempos corretos de comédia e de drama, o que nos permite entrar em todas as historias contadas e sair delas sempre com um aprendizado pra toda vida: A Solidariedade é o que move o mundo.

O cenário é composto de pequenos objetos e cadeiras que nos permite, em segundos, nos transportar para uma maca, uma cadeira de rodas, um banco de corredor. Pra que mais? Ah, sim, os objetos. Todos estao ali e todos sao utlizados. Palmas! O figurino é bastante adequado. Tudo na medida certa. A luz imponente e carinhosa, respeita espaços, sugere lugares. Linda. A trilha é bem adequada.

Mas é a direção que tem seu grande mérito, de conciliar trechos tristissimos com piadas hilárias, trechos melancólicos com sorrisos de compaixão. Muito bem explorado cada canto do Teatro dos Quatro, onde cada ator, no seu tempo, sabe dar seu recado, sem concorrer com o colega, ou seja, solidário ao colega e ao publico.

Um espetáculo emocionante, inteligente, rico em sentimentos, criativo, correto, bonito e feliz. Como tem q ser a vida de um palhaço-doutor. Imperdível!

Ja vem outra peça!

Bjos.



Escrito por Marcelo Aouila às 10:52
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   ENSINA-ME A VIVER

Em estado de graça saí do teatro Leblon com a certeza de que é disso que eu quero viver. Uma das melhores peças que eu já assisti, "Ensina-me a viver" é uma adaptação do cinema para o teatro do proprio autor, Coling Higgins. É aquela linda e "improvével historia de amor entre um senhor de 20 anos, obcecado pela morte, e uma jovem de quase 80 anos, apaixonada pela vida", como brilhantemente está escrito no programa da peça. Cabe à jovem senhora a tarefa fácil de mostrar ao velho de 20 anos que viver é uma deliciosa aventura e, o melhor de tudo, é que ela consegue. Para saber dessa historia, baixe o filme da internet ou pegue o DVD, se é que já existe.

A genial direção de Joao Falcao coloca os atores representando com total veracidade ao ponto de esquecermos que estamos num teatro e entramos na historia de corpo e alma. Usar panos para a cenografia é moleza, mas o dificil Joao fez: dar-lhes vida através dos corpos do elenco de apoio que, formado por atores, usa os palnos em total diálogo com a cena. Joao Falcao ainda criou um espetaculo leve visualmente, até pq o texto já é pesado quando se fala de morte, e é leve, quando se fala na alegria de viver. Nada mais era necessário além da palavra dita. E o espetáculo tem uma beleza, uma grandiosidade que ficamos completamente felizes ao fim da peça.

A cenografia de Sérgio Marimba, de ter feito muito efeito em São Paulo, mas como só vi no Rio, fiquei embasbacado. É lindo, leve e solto. Funciona, dá vida, adequa ambientes, camufla, movimenta, é viva e é morta ao mesmo tempo. Adore. O figuirino da Kika Lopes é lindo. Lindo, lindo e lindo para todos os personagens. A liz de Renato Machado é mais do que bonita. Além de iluminar, faz parte da cenografia, parecendo também que uma e outra foram pensadas juntas. Sempre que essa simbiose entre a luz e a cenografia acontece, parebenizo e reverencio a ambos. Um destaque à mais é a trlha do Rodrigo Penna, que lembro dele faz tempo fazendo Tv numa época em que ainda carregava o sobrenome Pena Pereira. Eu era e ainda sou fã desse garoto, que agora é DJ das festas Bailinho, aqui no Rio. Tem uma cena em que a trilha do Rodrigo rouba todas as atençoes, quando ele utiliza-se de Brithney Spears para identificar uma personagem patricinha. Nada mais correto, atual e criativo.

O elenco brilhante, formado por Ilana KIaplan, Fernanda de Freitas e Augusto Madeira dá um show a parte. Todos os três conseguem passar uma veracidade, uma beleza e uma lucidez em cena muito pouco vista hoje em dia. Parabéns aos três.

Arlindo Lopes eu conheci fazendo um musical sobre Cauby Peixoto e nao gostei. Mas dessa vez, o rapaz provou que nao só tem talento para atuar, como tem também  talendo para produzir, escolher bons parceiros e, principalmente, tem competencia para seguir adiante em sua carreira artistica. Essa escolha para "abrir os caminhos do teatro" para suas produções foi mais que acertada. Torço por voce, garoto.

E como sempre deixo o melhor para o final, é impossivel nao achar simplesmente genial, brilhante, lindo, emocionante, delicioso o trabalho de Gloria Menezes, que merece todas as glorias do teatro. És umd verdadeira Dama dos Palcos. Se já era seu fã faz tempo, agora entao, nem te conto. Confesso que sua Maude me fez rir, me fez chorar, me fez lembrar, me fez prever o futuro. E é isso que eu fui fazer no teatro, me alimentar de emoções, e com voce, Gloria, o cardápio estava de primeira. Saí de barriga cheia, emoções renovadas e alma lavada. Muito obrigado por este espetáculo.

- Ensina-me a viver - teatro do Leblon, de quinta a domingo.



Escrito por Marcelo Aouila às 17:22
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   POR QUE NÃO?

Nem sempre quando voce pega um texto de primeira, dá vontade de montar. Ou pelo menos dá vontade de ler a partir da terceira folha... mas quando me ofereceram a peça para eu fazer a cenografia, fui em frente e tomei gosto pelo que ouvia os atores dizendo, mesmo que eu achasse o texto de Luciano Luppi bem chato. O não falar sobre coisa alguma, ficar lembrando o passado, historias pessoais e peças encenadas pelos "atores-personagens" nao interessam a ninguém mais do que à eles mesmos! Nao existe um conflito, uma justificativa, nem muito menos um assunto a ser discutido entre o segundo e o terceiro sinal, antes da "peça" começar efetivamente. Apenas uma vontade de mudança, um recomeço, uma transformação, mas que fica tudo na vontade, sem execuções claras de como se irá chegar a essa mudança. Nenhum planejamento. So lembranças. E no fim da peça, aí sim tudo muda, um novo começo é mostrado ao publico.

A direção da Ligia Ferreira contribiui e muito para que o texto se tornasse interessante. Ligia acrescentou texto das peças que o proprio autor já indicava no texto, mas que agora com o texto real da peça indicada, tudo faz mais sentido, tudo parece ser melhor para se ter uma idéia do que levou os personagens a quererem sair disso tudo em que estao envolvidos. Ligia dirige com belas marcas, fazendo uso do cenário, da luz e do figurino, deixando os atores à vontade e dialogando com o publico.

A luz de Rogério Wiltgen é linda e contribui enormemente para que a cenografia seja explorada em toda sua totalidade. Parece que tanto a cenografia quanto a luz foram feitas e pensadas pela mesma pessoa, tamanha a simbiose. O figurino do Pedro Lacerda é correto. Cores berrantes quando tem q ser e sóbrio quando tem que ser. É preciso falar que a cenografia é de Marcelo Aouila? É preciso. E sem modestia nenhuma, é bem bonita. Clean, correta, adequada e funcional. A trilha sonora de Thereza Tinoco está bastante de acordo com as cenas em que se faz necessário uma trilha, mas nada além do trivial. Nada de novo no front. Diria eu até que o "rap" cantado pelos atores em cena tem uma boa letra, mas está mal gravado e mal cantado. É a unica parte da peça que nao me agrada. Mas nao se pode agradar a todos...

Monique Lafond e Sergio Miguel Braga estao numa sintonia no palco de dar gosto. A voz do Sérgio é muito boa para teatro. Ouve-se e entende-se tudo, da primeira à ultima silaba, tudo o que ele diz. Já Monique está mais à vontade no papel, e embora tenha pego um rabo de foguete, montou com toda garra neste touro indomável e laçou o novilho de primeira. Está ótima. Ambos estão. A peça rende muito com essa simbiose entre os dois atores.

No fringir dos "zóvos" é um espetáculo que nao fala muito para a platéia, mas deixa o embriao de uma pulga sobre a vontade (de quem a tem, diga-se desde já) de mudar aquilo que se está fazendo agora. A vontade de alçar novos vôos, buscar novas fronteiras, novos desafios. E nao existe coisa melhor para começar do que a vontade de mudar.

Vá ver e divirta-se.

Até já.

- Por que não?  - de terça a quinta no Teatro Ipanema às 20h30 até fim de novembro.



Escrito por Marcelo Aouila às 17:02
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   ÀS FAVAS COM OS ESCRUPULOS!

O Rio de Janeiro continua sendo o melhor lugar para se apresentar uma peça de teatro. Mesmo que o publico seja disputado a tapa pelas salas de espetáculo, é onde a platéia é mais calorosa. Já assisti a peças de teatro em outras praças, mas em nenhuma, o calor do publico é tão sentido quanto é aqui no Rio. Antes de começar efativamente a falar sobre a peça, assunto para Dona Hérnia: a reforma do Teatro Clara Nunes, que foi vendido recentemente. Veja o que Dona Hernia tem a dizer das cadeiras que espremem nossas pernas...

Agora sim, Às Favas! Veja bem. Juca de Oliveira, autor, tem o dom de escrever sobre corrupções, politicagem, falcatruas, enfim, tudo que se possa bater um pouquinho nos governos que estão em todos os lugares do mundo. E em todos eles, sem duvida, existe a corrupção. Mas eu já vi essa peça, não com esses atores, nem com esses personagens, mas com essa história já. Então... mais uma peça com gosto de "Eu já vi esse filme antes". Gente, é claro que todas as novelas das emissoras o tema "Romeu e Julieta" é o que dá mais Ibope. Mas, poxa... repetir sempre a mesma historia, o mesmo Senador, a mesma Amante, a mesma Mulher Traida... tá ficando chaaaaaaaaaaaato... enfim, às favas com a chatura! Isso não importa. O bom é tirar sarro com a cara da Dilma, do Suplici, da Dona Marisa, dos politicos em geral. Aí a platéia vem a baixo. Ri de rolar. E é pra isso que serve. Pra divertir.

Já que o Zé Povinho virou personagem dos meus posts, lá vou eu novamente dizer que ele ri de tudo. Ainda bem que na noite de estréia, o Zé Povinho fica reduzido e os Lordes Inglesses riem apenas daquilo que é engraçado. Então a peça é realmente vista com os olhos do que se tem a dizer. A critica social, os conflitos de classes, as traições, as revanches. Sem a interferencia so Zé Povinho, fica bem melhor ver teatro. Ainda mais quando a gente sabe onde vai dar aquela história.

A direção do Jô Soares é ótima. Pega o humor do texto e deixa este sair à vontade. Pega o repetitivo e muda a marca, faz uma brincadeira, coloca os atores sentados, sem pressa, sem corre-corre, explica com calma o desenrolar da história. Usa o que cada um dos atores tem de bom. Excelente.

O cenário é o famoso gabinete. Um apto rico, numa cidade qualquer. Eu achei nem bom nem ruim. Apenas tá lá. A luz também não é daquelas. Talvez por causa da estréia, algumas cenas ficaram às escuras. A trilha apenas liga os dias. E não é necessário mais do que isso. O figurino está bem correto para cada personagem.

E, claro, deixei para o fim os atores. Barbara Paez eu gosto muito. Faz sempre bem o papel da mocinha, seja ela boa ou puta. Gracindo Jr tem uma leveza ao falar o texto que, sinceramente, parece que foi nascido e criado naquela vida. Pena que seja novo para interpretar o mariodo de Bibi. Neuza Maria Faro não fica nada a dever. Sua empregada Tonta e Sábia é um achado no espetáculo. Diverte com talento e qualidade. Tem ainda um rapaz que interpreta o neto. Não tenho o nome aqui, mas está ótimo.

E um parágrafo só para Bibi Ferreira é pouco. A mulher é um vulcão. Vê-la no palco é um prazer sem tamanho. Aos 86 anos em marcas abusadas, sentada na mesa, brigando, falando palavrão é pra ser tomado como exemplo. A maior artista brasileira de todos os tempos, em um espetáculo de comédia fina, pode-se dar ao luxo de falar um "putaqueopariu" e a platéia aplaudir de pé. Imperdivel. Inesquecível.

Mas, pra que serve um blog onde o autor faz criticas, fala mal, fala bem, e indica todas as peças de teatro para serem vistas? Bem, esta é a minha visão do que eu penso sobre teatro. E eu sempre vou achar coisas interessantes mesmo naquilo que eu não gostar. Sim, tenho escrúpulos, e quando é ruim de todo, nem dá pra publicar postagem alguma, como muitas vezes já fiz. Mas... pra que escrupulos quando o que se está fazendo é divertir o famoso "povo cansado de guerra". Vá ver a peça. E como diriam... às favas com os escrupulos!!!!

Escrito por Marcelo Aouila às 20:49
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   MONSTRA

SOu fã de Patricia Travassos. Daqueles que não perdem uma oportunidade de vê-la em qualquer programa de televisão ou peça de teatro. Então, lá fui eu ver Monstra. O programa da peça é gigante, no sentido do tamanho mesmo, não em páginas, mas em dimensões, o que já nos leva a associar à excelente programação visual da peça que transforma Patricia num Godzila, ou num daqueles monstrengos do Spectroman, ou Ultraman. o texto é dela própria. E a historinha banal da mais. Uma mulher que vai dar uma palestra e se enrola com suas emoções e situações corriqueiras. Tudo sempre voltado para o erotismo, o sexo, o pornográfico. Uma pena. Piadas velhas, cansativas, repetitivas. Formulas usadas em outras peças de teatro, como "Não sou feliz, mas tenho marido" ou ainda "Os homens são de marte e é pra lá que eu vou". Sem falar que a costura das histórias nem são bem feitas. Nada encaixa com nada. Apenas os textos nos intervalos dos esquetes servem para uma pouco criativa ligação entre os assuntos banais. Uma pena.

Nem é preciso dizer que o Zé Povinho ri de tudo. E se ri de tudo... vale à pena. Vale sim. Ver Patricia Travassos em cena é um prazer indescritivel. Aquela voz que eu ADORO, irritante, segura, nhenhenhém, sarcástica, ela usa com perfeição. A expressão corporal ajuda e muito. E Patricia é uma monstra nisso.

O cenário da Lia Renha, uma mestra mesmo nessa arte, é o destaque da peça. Uma bolsa gigante que serve para tudo, tal qual uma bolsa de mulher. Nota dez. O figurino nem ajuda nem atrapalha. A luz é linda, recortada, pensada para o espetáculo. A trilha, certamente seguindo a orientação do texto, é criativa por ter descoberto várias gravações de uma mesma música que nós nem temos conhecimento disso. O que ajuda muito, pois já que temos que escutar aquilo diversas vezes, que pelo menos seja com gravações diferentes.

Mas além do texto ruim, o que contribui para a peça ser apenas uma colcha de retalhos a fim de se ganhar o riso fácil, é a pobre e sesm nenhuma criatividade da direção do Jorge Fernando. Não basta ser pai, tem que participar... usar marcas antigas de outras peças, às vezes pode virar marca registrada de qualquer diretor, mas copiar a mesma marca, o mesmo numero de platéia, a mesma entrada de cena, de várias peças que já tenha dirigido, eu acho preguiça. Jorge, você é bom paca! E se o texto não ajuda muito, a criatividade tem que ser gigante. Você sabe disso.

Mas, sinceramente, não se impressione com minhas observações. Vá ver a peça e ria muito. Ou faça que nem eu. De vez em quando, ria do Zé Povinho rindo daquilo que você já riu antes. E veja que Maravilha é ver Patrícia Travassos em cena.

Até logo!

Escrito por Marcelo Aouila às 20:33
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   A NOVIÇA REBELDE

Enfim, assisti à Noviça Rebelde. Graças a Deus o espetáculo é impecável. Isso mostra que o teatro é uma forma de investimento para as empresas patrocinadoras cujo retorno de imagem é um dos melhores. Obrigado aos Patrocinadores por esta montagem.

Se vc não conhece a historia, não vou te contar aqui não. Este é espaço para elogiar, sugerir, indicar e aplaudir. Pega na locadora o filme e vá ver a peça no teatro pra vc comparar. Acho a peça melhor...

Tudo é perfeito. Cenário no tempo certo de montagem, o que é um show à parte, os músicos da orquestra ovacionados sem ovos no fim da apresentação - eles ficam entretendo o público até este sair todo. So que ninguem vai embora enquanto a orquestra não para de tocar! -, Mirna Rubin, como Madre Superiora, e Fernando Eiras, como Tio Max são os ladrões de cena. Sem falar nas crianças e no coro de freiras, que cantam uma barbaridade!!

Luz, figurino, arranjos, interpretações, composições de personagens, tudo é brilhante. Obrigado a Charles e Claudio por mais este espetáculo genial.

Kiara Sasso dá um show de voz, mas (tem sempre um mas...) deixa a desejar no carisma. Herson otimo. Até canta! Solage Badim como sempre impecável. É um prazer ver Ada Chaseliov, Dudu Sandroni e Bruno Miguel em cena.

Chora-se na peça. Logico. Um espetaculo exemplar como esse é impossivel não se emocinar. Assim como também é impossivel não sair cantando as musicas que ficam na cabeça da gente durante e depois da apresentação. Pra ficar melhor so falta você ir assistir.

E sobre o Teatro Oi Casa Grande, realmente é impecável. Otimas poltronas, otima visão do palco, ar condicionado na temperatura perfeita, recepcionistas despreparados... ops! Escapou! mas isso é assunto para minha amida Dona Hernia (http://donahernia.blogspot.com/). Ela sim gosta de achar defeitos em tudo que se refere a serviços.

Até a próxima!

Escrito por Marcelo Aouila às 12:03
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   AQUARELAS DO ARY

Completando a trilogia que começou com "Antonio Maria, a noite é uma criança" e teve "Ai! Que saudades do Lago", este novo espetaculo da trupe de Marcus França é o mais delicado de todos. Sem sombra da duvidas, a vida de Mario Lago é a mais rica em detalhes das tres vidas levadas ao palco por eles, mas os tres possuem uma riqueza e uma importancia na musica brasileira, que esses tres musicais deveriam ser imortalizados no teatro, gravados em DVD e vendidos em bancas de jornal. Apenas acrescento que poderia ter havido alguma outra historia na vida de Ary Barroso que nós desconhecemos e que poderia estar inserido na peça. Me recuso a escrever que o roteiro do Marcus França seja preguiçoso. Nao é nao. Mas faltou um "que" a mais para que este musical superasse o musical sobre Mario Lago.

A direção da Joana Lebreiro, é como sempre excelente. Sua marca registrada está presente em todos os minimos detalhes e tenho orgulho enorme de ter produzido uma peça com ela dirigindo. Parabens, esta é a sua direção mais delicada. E eu acompanhei os detalhes deste processo.

O elenco é genial. Claudia Ventura de uma voz enebriente faz com que a platéia fique emocionada todas as vezes que abre o largo sorriso e inicia os acordes com sua voz de veludo. Um prazer te ver cantar. E a atuação nao fica atrás. Os outros dois em cena, amigos, parceiros e companheiros de outros musicais estao, como sempre, excelentes em cena.

O cenário e o figurino do Nei Madeira sao uma aula de teatro para quem quiser seguir a carreira. Simples, discreto e aconchegante, o cenário com as letras e partituras de Ary Barroso, nos insere num universo minimalista e ao mesmo tempo nos amplia a imaginação. Agora, o figurino é de uma criatividade exemplar. Consegue ser ao mesmo tempo moderno, de época, criativo, leve e lindo. Fiquei apaixonado pelo figurino.

A luz é linda. Os musicos estao muito bem, dando conta dos acompanhamentos, e arranjos bem criados e executados.

Espero que tenhamos mais personagens da historia da Musica Popular Brasileira cantada e contada por esta turma tao carinhosa com nosso Brasil.

Até breve!


Escrito por Marcelo Aouila às 15:32
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   CIRCUNCISÃO EM NOVA YORK

Eu sempre gostei das montagems de João Bethencourt justamente porque traz um Molière, uma comédia inteligente, divertida e que agrada a vários formadores de opinião. Porém, dessa vez, ao ler o programa da peça, me pareceu mais uma velha comédia de riso fácil, onde Dercy Gonçalvez faz escola, devido a quantidade de palavroes que sao ditos à torto e à direito, tirando o riso amarelo da platéia. Nem me darei a trabalho de comentar sobre a platéia que habita o teatro hoje em dia. A falta de cultura é tanta que basta falar a palavra "bunda" para o povinho soltar a gargalhada estridente. Bem, já que perdi tempo falando do zé povinho, vou alem. "Tá rindo de que, hiena?" é a vontade que tenho de perguntar ao zé povinho em volta de mim. Ok, pode me chamar de esnobe elitista. Nao deixa de ser uma ofensa, mas nao deixa de ser um elogio. Voltando a peça, quase um "A Praça é nossa", do SBT.

Falar de homossexualismo misturado a cultura judaica ja deve ter sido exaustivamente explorado. Varios filmes, varias piadas, vários programas de televisao, que nao justifica a montagem desta peça, ainda mais patrocinada pela Prefeitura do Rio, num teatro do Governo do Estado do Rio. A sensação de "piada velha" é constante do inicio ao fim da peça.

Tirando o tema, e as óbvias frases feitas, é inegável o talento do autor para compor a trama da peça. A carpintaria teatral é muito bem construida e a trama vai num crescendo que nao dá pra gente ficar à margem da vida. Entramos na historia. Na pobre historia, mas bem construida.

A direção é bem tranquila, pegando carona nas marcas certas, sem nenhuma ousadia e, por vezes até, obvias. Faltou um capricho para marcas. DIgo isso pq em algumas cenas, os personagens saem pela lateral do palco, e em outras vezes, vao para o mesmo "ambiente", porém passam pelo fundo do palco... estranho... O elenco está bem dirigido. Falam as palavras corretamente, nao erraram o portugues, graças a Deus, e se ouvia todas as palavras do inicio ao fim. A movimentação do elenco no palco é dinâmica e nao deixa a peteca cair em nenhum momento.

Agora a parte tecnica. O cenário do José Dias é, como sempre apenas o necessario para a cena. Achei pobre. OK, hoje em dia, precisamos de pouco cenário pra viajar, mas, puxa vida, o cara é professor de cenografia... nao dava pra ser um cadinho mais criativo?? Usar projeções para "localizar" Nova York na trama é mais que passado... já ficou pobre. O figurino (eu sempre fico devendo nomes...) é bem correto. Bonito, elegante e adequado aos personagens. A trilha nao me disse nada. Musicas apenas na troca das cenas. A luz é simpleszinha, também para se adaptar aos teatros por onde a peça irá viajar. Sem grandes inovações, muito menos criatividade. Ilumina, e é só.

E o elenco... bem, estão todos bem. O conjunto funciona bastante. Faz tempo que nao tenho gostado das atuações do Francisco Cuoco em teatro. Mas nessa peça ele está simpatico, com o bem empregado sotaque judaico, nao errou texto e nem titubeou nas palavras, como vem fazendo. Suzana Saldanha... eu amo profundamente esta atriz. Já trabalhou comigo duas vezes e espero que trabalhe novamente, mas... sabe quando ela nao entra na personagem? Parece que nao está à vontade em cena. E olha que eu considero Suzana de um brilhantismo nunca visto. Mas nao está dando tudo de si. Pitty Webo e Nildo Parente estao, como sempre, ótimos. Maravilhosa dicção, presença em cena, naturalidade, tranquilidades. Os outros tres atores, me perdoem, nao tenho os nomes aqui, também estao otimos. Muito bem em seus papéis e dando conta do recado direitinho.

Apesar do riso facil e da obviedade, é um simpático espetaculo de teatro, cujo riso é obvio e fácil, mas que o zé povinho se diverte. E se diverte o zé povinho... quer coisa melhor? Assista e tire suas proprias conclusoes!

Até já!



Escrito por Marcelo Aouila às 11:24
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