Aouila no Teatro
   ÀS FAVAS COM OS ESCRUPULOS!

O Rio de Janeiro continua sendo o melhor lugar para se apresentar uma peça de teatro. Mesmo que o publico seja disputado a tapa pelas salas de espetáculo, é onde a platéia é mais calorosa. Já assisti a peças de teatro em outras praças, mas em nenhuma, o calor do publico é tão sentido quanto é aqui no Rio. Antes de começar efativamente a falar sobre a peça, assunto para Dona Hérnia: a reforma do Teatro Clara Nunes, que foi vendido recentemente. Veja o que Dona Hernia tem a dizer das cadeiras que espremem nossas pernas...

Agora sim, Às Favas! Veja bem. Juca de Oliveira, autor, tem o dom de escrever sobre corrupções, politicagem, falcatruas, enfim, tudo que se possa bater um pouquinho nos governos que estão em todos os lugares do mundo. E em todos eles, sem duvida, existe a corrupção. Mas eu já vi essa peça, não com esses atores, nem com esses personagens, mas com essa história já. Então... mais uma peça com gosto de "Eu já vi esse filme antes". Gente, é claro que todas as novelas das emissoras o tema "Romeu e Julieta" é o que dá mais Ibope. Mas, poxa... repetir sempre a mesma historia, o mesmo Senador, a mesma Amante, a mesma Mulher Traida... tá ficando chaaaaaaaaaaaato... enfim, às favas com a chatura! Isso não importa. O bom é tirar sarro com a cara da Dilma, do Suplici, da Dona Marisa, dos politicos em geral. Aí a platéia vem a baixo. Ri de rolar. E é pra isso que serve. Pra divertir.

Já que o Zé Povinho virou personagem dos meus posts, lá vou eu novamente dizer que ele ri de tudo. Ainda bem que na noite de estréia, o Zé Povinho fica reduzido e os Lordes Inglesses riem apenas daquilo que é engraçado. Então a peça é realmente vista com os olhos do que se tem a dizer. A critica social, os conflitos de classes, as traições, as revanches. Sem a interferencia so Zé Povinho, fica bem melhor ver teatro. Ainda mais quando a gente sabe onde vai dar aquela história.

A direção do Jô Soares é ótima. Pega o humor do texto e deixa este sair à vontade. Pega o repetitivo e muda a marca, faz uma brincadeira, coloca os atores sentados, sem pressa, sem corre-corre, explica com calma o desenrolar da história. Usa o que cada um dos atores tem de bom. Excelente.

O cenário é o famoso gabinete. Um apto rico, numa cidade qualquer. Eu achei nem bom nem ruim. Apenas tá lá. A luz também não é daquelas. Talvez por causa da estréia, algumas cenas ficaram às escuras. A trilha apenas liga os dias. E não é necessário mais do que isso. O figurino está bem correto para cada personagem.

E, claro, deixei para o fim os atores. Barbara Paez eu gosto muito. Faz sempre bem o papel da mocinha, seja ela boa ou puta. Gracindo Jr tem uma leveza ao falar o texto que, sinceramente, parece que foi nascido e criado naquela vida. Pena que seja novo para interpretar o mariodo de Bibi. Neuza Maria Faro não fica nada a dever. Sua empregada Tonta e Sábia é um achado no espetáculo. Diverte com talento e qualidade. Tem ainda um rapaz que interpreta o neto. Não tenho o nome aqui, mas está ótimo.

E um parágrafo só para Bibi Ferreira é pouco. A mulher é um vulcão. Vê-la no palco é um prazer sem tamanho. Aos 86 anos em marcas abusadas, sentada na mesa, brigando, falando palavrão é pra ser tomado como exemplo. A maior artista brasileira de todos os tempos, em um espetáculo de comédia fina, pode-se dar ao luxo de falar um "putaqueopariu" e a platéia aplaudir de pé. Imperdivel. Inesquecível.

Mas, pra que serve um blog onde o autor faz criticas, fala mal, fala bem, e indica todas as peças de teatro para serem vistas? Bem, esta é a minha visão do que eu penso sobre teatro. E eu sempre vou achar coisas interessantes mesmo naquilo que eu não gostar. Sim, tenho escrúpulos, e quando é ruim de todo, nem dá pra publicar postagem alguma, como muitas vezes já fiz. Mas... pra que escrupulos quando o que se está fazendo é divertir o famoso "povo cansado de guerra". Vá ver a peça. E como diriam... às favas com os escrupulos!!!!

Escrito por Marcelo Aouila às 20:49
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   MONSTRA

SOu fã de Patricia Travassos. Daqueles que não perdem uma oportunidade de vê-la em qualquer programa de televisão ou peça de teatro. Então, lá fui eu ver Monstra. O programa da peça é gigante, no sentido do tamanho mesmo, não em páginas, mas em dimensões, o que já nos leva a associar à excelente programação visual da peça que transforma Patricia num Godzila, ou num daqueles monstrengos do Spectroman, ou Ultraman. o texto é dela própria. E a historinha banal da mais. Uma mulher que vai dar uma palestra e se enrola com suas emoções e situações corriqueiras. Tudo sempre voltado para o erotismo, o sexo, o pornográfico. Uma pena. Piadas velhas, cansativas, repetitivas. Formulas usadas em outras peças de teatro, como "Não sou feliz, mas tenho marido" ou ainda "Os homens são de marte e é pra lá que eu vou". Sem falar que a costura das histórias nem são bem feitas. Nada encaixa com nada. Apenas os textos nos intervalos dos esquetes servem para uma pouco criativa ligação entre os assuntos banais. Uma pena.

Nem é preciso dizer que o Zé Povinho ri de tudo. E se ri de tudo... vale à pena. Vale sim. Ver Patricia Travassos em cena é um prazer indescritivel. Aquela voz que eu ADORO, irritante, segura, nhenhenhém, sarcástica, ela usa com perfeição. A expressão corporal ajuda e muito. E Patricia é uma monstra nisso.

O cenário da Lia Renha, uma mestra mesmo nessa arte, é o destaque da peça. Uma bolsa gigante que serve para tudo, tal qual uma bolsa de mulher. Nota dez. O figurino nem ajuda nem atrapalha. A luz é linda, recortada, pensada para o espetáculo. A trilha, certamente seguindo a orientação do texto, é criativa por ter descoberto várias gravações de uma mesma música que nós nem temos conhecimento disso. O que ajuda muito, pois já que temos que escutar aquilo diversas vezes, que pelo menos seja com gravações diferentes.

Mas além do texto ruim, o que contribui para a peça ser apenas uma colcha de retalhos a fim de se ganhar o riso fácil, é a pobre e sesm nenhuma criatividade da direção do Jorge Fernando. Não basta ser pai, tem que participar... usar marcas antigas de outras peças, às vezes pode virar marca registrada de qualquer diretor, mas copiar a mesma marca, o mesmo numero de platéia, a mesma entrada de cena, de várias peças que já tenha dirigido, eu acho preguiça. Jorge, você é bom paca! E se o texto não ajuda muito, a criatividade tem que ser gigante. Você sabe disso.

Mas, sinceramente, não se impressione com minhas observações. Vá ver a peça e ria muito. Ou faça que nem eu. De vez em quando, ria do Zé Povinho rindo daquilo que você já riu antes. E veja que Maravilha é ver Patrícia Travassos em cena.

Até logo!

Escrito por Marcelo Aouila às 20:33
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   A NOVIÇA REBELDE

Enfim, assisti à Noviça Rebelde. Graças a Deus o espetáculo é impecável. Isso mostra que o teatro é uma forma de investimento para as empresas patrocinadoras cujo retorno de imagem é um dos melhores. Obrigado aos Patrocinadores por esta montagem.

Se vc não conhece a historia, não vou te contar aqui não. Este é espaço para elogiar, sugerir, indicar e aplaudir. Pega na locadora o filme e vá ver a peça no teatro pra vc comparar. Acho a peça melhor...

Tudo é perfeito. Cenário no tempo certo de montagem, o que é um show à parte, os músicos da orquestra ovacionados sem ovos no fim da apresentação - eles ficam entretendo o público até este sair todo. So que ninguem vai embora enquanto a orquestra não para de tocar! -, Mirna Rubin, como Madre Superiora, e Fernando Eiras, como Tio Max são os ladrões de cena. Sem falar nas crianças e no coro de freiras, que cantam uma barbaridade!!

Luz, figurino, arranjos, interpretações, composições de personagens, tudo é brilhante. Obrigado a Charles e Claudio por mais este espetáculo genial.

Kiara Sasso dá um show de voz, mas (tem sempre um mas...) deixa a desejar no carisma. Herson otimo. Até canta! Solage Badim como sempre impecável. É um prazer ver Ada Chaseliov, Dudu Sandroni e Bruno Miguel em cena.

Chora-se na peça. Logico. Um espetaculo exemplar como esse é impossivel não se emocinar. Assim como também é impossivel não sair cantando as musicas que ficam na cabeça da gente durante e depois da apresentação. Pra ficar melhor so falta você ir assistir.

E sobre o Teatro Oi Casa Grande, realmente é impecável. Otimas poltronas, otima visão do palco, ar condicionado na temperatura perfeita, recepcionistas despreparados... ops! Escapou! mas isso é assunto para minha amida Dona Hernia (http://donahernia.blogspot.com/). Ela sim gosta de achar defeitos em tudo que se refere a serviços.

Até a próxima!

Escrito por Marcelo Aouila às 12:03
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