Aouila no Teatro
   ENSINA-ME A VIVER

Em estado de graça saí do teatro Leblon com a certeza de que é disso que eu quero viver. Uma das melhores peças que eu já assisti, "Ensina-me a viver" é uma adaptação do cinema para o teatro do proprio autor, Coling Higgins. É aquela linda e "improvével historia de amor entre um senhor de 20 anos, obcecado pela morte, e uma jovem de quase 80 anos, apaixonada pela vida", como brilhantemente está escrito no programa da peça. Cabe à jovem senhora a tarefa fácil de mostrar ao velho de 20 anos que viver é uma deliciosa aventura e, o melhor de tudo, é que ela consegue. Para saber dessa historia, baixe o filme da internet ou pegue o DVD, se é que já existe.

A genial direção de Joao Falcao coloca os atores representando com total veracidade ao ponto de esquecermos que estamos num teatro e entramos na historia de corpo e alma. Usar panos para a cenografia é moleza, mas o dificil Joao fez: dar-lhes vida através dos corpos do elenco de apoio que, formado por atores, usa os palnos em total diálogo com a cena. Joao Falcao ainda criou um espetaculo leve visualmente, até pq o texto já é pesado quando se fala de morte, e é leve, quando se fala na alegria de viver. Nada mais era necessário além da palavra dita. E o espetáculo tem uma beleza, uma grandiosidade que ficamos completamente felizes ao fim da peça.

A cenografia de Sérgio Marimba, de ter feito muito efeito em São Paulo, mas como só vi no Rio, fiquei embasbacado. É lindo, leve e solto. Funciona, dá vida, adequa ambientes, camufla, movimenta, é viva e é morta ao mesmo tempo. Adore. O figuirino da Kika Lopes é lindo. Lindo, lindo e lindo para todos os personagens. A liz de Renato Machado é mais do que bonita. Além de iluminar, faz parte da cenografia, parecendo também que uma e outra foram pensadas juntas. Sempre que essa simbiose entre a luz e a cenografia acontece, parebenizo e reverencio a ambos. Um destaque à mais é a trlha do Rodrigo Penna, que lembro dele faz tempo fazendo Tv numa época em que ainda carregava o sobrenome Pena Pereira. Eu era e ainda sou fã desse garoto, que agora é DJ das festas Bailinho, aqui no Rio. Tem uma cena em que a trilha do Rodrigo rouba todas as atençoes, quando ele utiliza-se de Brithney Spears para identificar uma personagem patricinha. Nada mais correto, atual e criativo.

O elenco brilhante, formado por Ilana KIaplan, Fernanda de Freitas e Augusto Madeira dá um show a parte. Todos os três conseguem passar uma veracidade, uma beleza e uma lucidez em cena muito pouco vista hoje em dia. Parabéns aos três.

Arlindo Lopes eu conheci fazendo um musical sobre Cauby Peixoto e nao gostei. Mas dessa vez, o rapaz provou que nao só tem talento para atuar, como tem também  talendo para produzir, escolher bons parceiros e, principalmente, tem competencia para seguir adiante em sua carreira artistica. Essa escolha para "abrir os caminhos do teatro" para suas produções foi mais que acertada. Torço por voce, garoto.

E como sempre deixo o melhor para o final, é impossivel nao achar simplesmente genial, brilhante, lindo, emocionante, delicioso o trabalho de Gloria Menezes, que merece todas as glorias do teatro. És umd verdadeira Dama dos Palcos. Se já era seu fã faz tempo, agora entao, nem te conto. Confesso que sua Maude me fez rir, me fez chorar, me fez lembrar, me fez prever o futuro. E é isso que eu fui fazer no teatro, me alimentar de emoções, e com voce, Gloria, o cardápio estava de primeira. Saí de barriga cheia, emoções renovadas e alma lavada. Muito obrigado por este espetáculo.

- Ensina-me a viver - teatro do Leblon, de quinta a domingo.



Escrito por Marcelo Aouila às 17:22
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   POR QUE NÃO?

Nem sempre quando voce pega um texto de primeira, dá vontade de montar. Ou pelo menos dá vontade de ler a partir da terceira folha... mas quando me ofereceram a peça para eu fazer a cenografia, fui em frente e tomei gosto pelo que ouvia os atores dizendo, mesmo que eu achasse o texto de Luciano Luppi bem chato. O não falar sobre coisa alguma, ficar lembrando o passado, historias pessoais e peças encenadas pelos "atores-personagens" nao interessam a ninguém mais do que à eles mesmos! Nao existe um conflito, uma justificativa, nem muito menos um assunto a ser discutido entre o segundo e o terceiro sinal, antes da "peça" começar efetivamente. Apenas uma vontade de mudança, um recomeço, uma transformação, mas que fica tudo na vontade, sem execuções claras de como se irá chegar a essa mudança. Nenhum planejamento. So lembranças. E no fim da peça, aí sim tudo muda, um novo começo é mostrado ao publico.

A direção da Ligia Ferreira contribiui e muito para que o texto se tornasse interessante. Ligia acrescentou texto das peças que o proprio autor já indicava no texto, mas que agora com o texto real da peça indicada, tudo faz mais sentido, tudo parece ser melhor para se ter uma idéia do que levou os personagens a quererem sair disso tudo em que estao envolvidos. Ligia dirige com belas marcas, fazendo uso do cenário, da luz e do figurino, deixando os atores à vontade e dialogando com o publico.

A luz de Rogério Wiltgen é linda e contribui enormemente para que a cenografia seja explorada em toda sua totalidade. Parece que tanto a cenografia quanto a luz foram feitas e pensadas pela mesma pessoa, tamanha a simbiose. O figurino do Pedro Lacerda é correto. Cores berrantes quando tem q ser e sóbrio quando tem que ser. É preciso falar que a cenografia é de Marcelo Aouila? É preciso. E sem modestia nenhuma, é bem bonita. Clean, correta, adequada e funcional. A trilha sonora de Thereza Tinoco está bastante de acordo com as cenas em que se faz necessário uma trilha, mas nada além do trivial. Nada de novo no front. Diria eu até que o "rap" cantado pelos atores em cena tem uma boa letra, mas está mal gravado e mal cantado. É a unica parte da peça que nao me agrada. Mas nao se pode agradar a todos...

Monique Lafond e Sergio Miguel Braga estao numa sintonia no palco de dar gosto. A voz do Sérgio é muito boa para teatro. Ouve-se e entende-se tudo, da primeira à ultima silaba, tudo o que ele diz. Já Monique está mais à vontade no papel, e embora tenha pego um rabo de foguete, montou com toda garra neste touro indomável e laçou o novilho de primeira. Está ótima. Ambos estão. A peça rende muito com essa simbiose entre os dois atores.

No fringir dos "zóvos" é um espetáculo que nao fala muito para a platéia, mas deixa o embriao de uma pulga sobre a vontade (de quem a tem, diga-se desde já) de mudar aquilo que se está fazendo agora. A vontade de alçar novos vôos, buscar novas fronteiras, novos desafios. E nao existe coisa melhor para começar do que a vontade de mudar.

Vá ver e divirta-se.

Até já.

- Por que não?  - de terça a quinta no Teatro Ipanema às 20h30 até fim de novembro.



Escrito por Marcelo Aouila às 17:02
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